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Transcendências

Hoje, em entrevista ao jornal “Público” e quando questionado sobre a razão porque está a gastar 2 milhões de euros em festas no Parque Mayer até ao dia das eleições, António Costa responde: «Foi-nos proposto pelo Turismo de Lisboa e não temos nada contra». Para a seguir acrescentar: «O dinheiro não é da Câmara. Vem do Turismo de Portugal, para animação. É uma coisa que me transcende».

Sucede que nem uma linha destas afirmações de António Costa corresponde à realidade.
Como, aliás, se pode ler na mesma edição do jornal, nesta notícia.

Atente-se no que escreve a jornalista: «Nem mesmo na direcção da Associação de Turismo de Lisboa – entidade que propôs a iniciativa ao Turismo de Portugal, a iniciativa foi pacífica». É extraordinário, isto: Ficamos assim a saber que a ATL, presidida por António Costa, esteve na origem do pedido dessas verbas que tanto “transcendiam” o mesmo Costa.

Que cada um, na lista socialista, não saiba o que os outros fazem e dizem, a isso já nos tínhamos habituado. Agora que António Costa peça com uma mão, receba com a outra e alegue não saber de nada, é algo que não basta apelidar de transcendente. É mesmo extraterrestre.

O Parque Mayer não merece demagogias

A candidatura socialista veio desenterrar, pela enésima vez, o projecto para o Parque Mayer do arquitecto Frank Ghery. Dizem eles que o mesmo custou 2,9 M€, o que não é de todo verdade. E ainda que o mesmo projecto foi para o cesto dos papéis, o que só sucedeu porque houve quem assim o decidisse. Caso contrário, o Parque Mayer teria hoje um edifício arquitectónico de referência mundial.

O que a candidatura socialista não disse foi aquilo que é verdadeiramente notícia, se não mesmo escandaloso; Que as festas que decorrem até ao dia das eleições no Parque Mayer - pasme-se pela "coincidência" - foram subsidiadas de forma ilegal pelas contrapartidas iniciais do Casino de Lisboa, destinadas exclusivamente a equipamentos culturais.

Em vez disso, o executivo de António Costa desperdiçou 1,9 M€ (que parecem já ter derrapado para 2,1 M€) num festival de música, efémero e eleitoralista. E que no final, se não ao cesto dos papéis, irá certamente para o caixote do lixo.

A demagogia socialista e de António Costa é esta: Apontar o dedo para longe das suas acções de nociva e duvidosa gestão, numa tentativa de distrair os tolos. Os Lisboetas, felizmente, não o são. E distinguem bem entre o que foi um projecto de referência para a cidade, e aquilo que não passa de desperdício para caçar votos. Ainda para mais deturpando a lei e as suas intenções.

Palco? Só no Parque Mayer

Esta quarta-feira, dia 2, Pedro Santana Lopes é convidado do humorista Nílton no programa da RTP2, “5 Para a Meia-Noite”. Sexta-feira, António Costa é entrevistado pelo também humorista Luís Filipe Borges no mesmo programa. Sucede que esta está longe de ser a primeira vez que o ainda presidente da Câmara de Lisboa imita as iniciativas da campanha “Lisboa Com Sentido”, certamente por falta de ideias e agenda própria. Pelo contrário, fá-lo desde o início. Senão repare-se:

Quando Pedro Santana Lopes organizou um debate informal sobre as contas da autarquia, para desmontar as ideias feitas da retórica socialista, logo António Costa – o homem do passivo sem obra - decidiu fazer o mesmo na semana seguinte.

Mais ainda: Santana Lopes percorreu incansável ao longo de semanas os bairros sociais da cidade, sem jornalistas a acompanhá-lo. Foi preciso fazê-lo pela primeira vez com a comunicação social, para que Costa descobrisse que esses bairros existem e viesse anunciar finalmente o seu périplo de visitas.

A exemplos destes, reveladores da falta de agenda e sentido da candidatura socialistas, podemos ainda acrescentar as reacções nervosas de quem sente fugir-lhe o palco debaixo dos pés. Isto mesmo ficou agora bem patente na convocação dos seus apoiantes em cima do joelho, para uma apresentação à mesma hora em que Pedro Santana Lopes e o candidato à presidência da Assembleia Municipal de Lisboa, Manuel Falcão, se encontrarão com 15 dos principais bloguers nacionais no Martinho da Arcada.

Falta de ideias dá nisto. Medo e seguidismo. Assim, sem substância própria, imitando quem faz, a António Costa só resta como seu o palco das festas no Parque Mayer. Pagas por 1,9 Milhões de Euros por alguém que se lamuriava de falta de dinheiro e se gabava de ter “arrumado a casa”. Não será de admirar quando, no dia das eleições, ninguém lhe pedir “Bis” pelo espectáculo.