Cinco Sentidos - III (Acessibilidade e Eliminação das Barreiras Arquitectónicas)

«Acessível: que se pode atingir, alcançar ou obter facilmente; compreensível; aberto; comunicativo; tratável. Do latim, praticável, inteligível».
É assim que os dicionários da Porto Editora explicam o conceito da acessibilidade. É assim que o pretendemos aplicar em Lisboa, para potenciar a integração social das pessoas portadoras de deficiência que aqui tentam mover-se. Garantir a acessibilidade é assegurar o exercício de cidadania e de autonomia às pessoas com deficiência. Em cada passeio, em todos os licenciamentos de novas construções, em qualquer espaço público, a acessibilidade deixa de ser uma opção cuidadosa para se tornar numa obrigação elementar.
Trataremos igualmente de identificar as carências a nível das infraestruturas comuns e dos transportes públicos. Os estudos revelam que a intervenção nos autocarros para facilitar a mobilidade teve um impacto directo na economia de tempo das carreiras agilizando os movimentos de todos os passageiros, independentemente de serem ou não portadores de deficiência. Sabemos que a Lei já acompanha este espírito e estabelece mínimos para a sua concretização e nem sempre é observada. Mas queremos mais ambição na planificação dos novos edifícios e do espaço urbano, na semaforização para invisuais, em geral, na eliminação das barreiras arquitectónicas.
É com sentido de compromisso que assumimos um papel interveniente na área da mobilidade reduzida. Continuaremos a trabalhar, em conjunto, com instituições que se batem fortemente por uma igualdade de oportunidades na mobilidade.
Estima-se que o PIB de um País é afectado negativamente em cerca de 7% por causa da não inclusão de portadores de deficiência, estando 10% da população numa situação de mobilidade reduzida. Em qualquer Capital europeia é natural verem-se pessoas de cadeiras de rodas na rua, em restaurantes, museus, autocarros. Nestas cidades, para além do sentido de equidade social, já se reconheceu o benefício económico da inclusão destas pessoas.
Para além disso, toda a acessibilidade produz maior qualidade de vida para quem transporta carrinhos de bébé, «trolleys» de compras, idosos, grávidas e acidentados com dificuldade de locomoção. A acessibilidade é, ainda, um factor de competitividade para qualquer destino turístico, ainda mais quando se assiste ao envelhecimento dos grupos de turistas que mais disponibilidade têm para viajar. A criação de acessibilidade é um indicador de visão de futuro na medida em que prepara uma maior autonomia para um número crescente de «utentes», tal como indicam as previsões demográficas mais realistas.
A simples presença de uma rampa ou de uma calha elevatória para transpor escadas torna mais evidente a dificuldade que outros têm em movimentar-se. Torna-nos mais humanos, solidários. Todos somos um só, na mesma Cidade. Assim se constrói Comunidade. Com sentido.

Dia 17 - Cinco Sentidos - IV (Mobilidade e Uso Sistemático dos Transportes Públicos)

11 comentários:

José Sousa disse...

Um artigo saudável,consistente e futurista.O que Lisboa está a necessitar.
Só espero que não seja só escrita!!!Vamos lá Santana.Ensina-os quem sabe de autarquias!!!

Charlote Caetano disse...

Sim é verdade. Uma cidade mais correcta em termos de acessibilidade é sem dúvida uma cidade mais rica! Mas ponham os olhos no país e vejam se por acaso temos solução. Vivemos num pais onde a maior parte de quem nos governa, quer no poder local quer no governo central está sobre suspeita de algum acto ilicito, por isso, francamente! Tenham vergonha e digam que não sabem como hão-de resolver os problemas e por isso depois vêm inventar aqui uns textos (nem por isso) bem escritos para ver se convencem os votantes!
Mas os votantes dizem: Estamos fartos!

Anónimo disse...

Gostaia de fazer-lhe uma pregunta para ficar esclarecido. Enquanto foi Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e depois também enquanto 1º Ministro de Portugal, bem sein que pouco tempo, o que fez pelo tema que agora lança.

Anónimo disse...

Deixe-me que diga, com honestidade, que tinha uma ideia sua completamente deturpada por campanhas que fazem insistentemente contra si. Eu vivi em Lisboa até casar, que foi precisamente no seu mandato. Você mudou muito aquela minha rua e o meu prédio! Não queria dizer em concreto a morada mas digo que é perto de Entrecampos: tinha uma senhora deficiente no prédio que tinha sempre enormes dificuldades em subir e descer as escadas e a Câmara do seu tempo (iniciativa sua pelo que vim depois a saber) colocou um aparelho que permite que a cadeira de rodas suba e desça sem dificuldade.
Voltei no outro dia a esse prédio, onde vivem ainda os meus pais, e pensei muito em si quando a senhora subia as escadas sozinha com os filhos ao lado! Acredite que ver a felicidade da cara da senhora me deu muita alegria.
Não voto agora em Lisboa, porque entretanto me mudei, mas tenciono candidatar-me aos concursos para habitação em Lisboa (volte por favor senão não há maneira de levarem os jovens para a cidade...).
Tem o meu total apoio porque você não é nenhum animal da política. É humano e deu muita alegria a muita gente que precisava! Lisboa precisa muito de si, de volta!

MP

Anónimo disse...

É só acessos, só acessos, só conversa, a verdade é essa!
Há tanta coisa que não foi feita em Lisboa. Como é que podemos ainda acreditar nos políticos? Eu cá não voto, são sempre promessas a mais e depois não se vê nada.....

Josefina Fig. disse...

É preciso ter lata para se prometer isto! Só falta de dizer como o Carrilho que vai fazer um jardim em cada bairro.

Anónimo disse...

desculpe que lhe diga, sra. Josefina, que o dr. Santana Lopes, neste aspecto, fez um trabalho exemplar. Não se diz que se vai fazer uma cidade de novo, que se vai deitar tudo abaixo, mas medidas concretas, pequenos pormenores para nós, que farão muita diferença no dia a dia dos deficientes.
no último mandato do dr. Santana Lopes fizeram-se muitos avanços nestas matérias, talvez como nunca tinham sido feitos, em tão pouco tempo.

quanto ao anónimo, é uma questão de se ver que o dr. Santana Lopes cumpriu. Principalmente no essencial. Todas aquelas promessas que guardámos na memória ficaram mesmo cumpridas. O que não foi feito não foi vontade sua, por isso eu acho, enquanto cidadã, que Pedro Santana Lopes merece ganhar, com maioria absoluta, para que não haja nada a condicionar Lisboa. Lisboa tem mesmo de ir para a frente.

advogado do diabo disse...

se alguma coisa podem acusar este gajo, de ser mentiroso ou não cumpridor,não é de certeza...Gostava de sair?Nós tb.De dançar?Nós tb.Mas sempre cumpriu o que disse!!! Aliás por isso mesmo é que o Sampaio lhe fez a folha de forma bem mafiosa,por saber que cumpre...e quando falou em coisas que ia fazer....pois...

Filipe Bastos disse...

Mas não há ninguém que se interrogue, de onde vem o dinheiro para tudo isto? Ninguém leu o chumbo do Tribunal de Contas, à gestão deste senhor em 2004?

Ah não, esperem, isso são tudo cabalas do PS... De certeza que as contas de Lisboa e da Figueira da Foz, ficaram de pedra e cal.

Anónimo disse...

Treta.
Sr. Santana Lopes, não sou o primeiro a perguntar isto, mas agradecia que, para além das boas intenções do texto (que lhe escreveram), dissesse que obras foram feitas durante o seu mandato na CML que tivessem o que quer que fosse a ver com as intenções do lindo texto que aqui publica.
O que é que o Sr. fez para cumprir o estipulado no Dec. Lei 123/97 que o obrigava como responsável autáquico a adaptar os edifícios camarários e o espaço público até 2004?
Nessa altura ainda não tinha percebido que a acessibilidade dava votos? Acordou agora?

Anónimo disse...

A 8 de Abril deixei aqui um comentário. Ainda não tive resposta passados que vão 3 meses.

Ainda me lembro dos cartazes que tinham um pictograma de um cego em que constava a Câmara do Dr. Santana Lopes que até aí nada tinha sido feito pelos deficientes físicos.(esta foi boa)
Constatei eu depois que nada foi feito nem pelas pessoas com deficiência física nem pelas pessoas com deficiência sensorial (que é o caso dos cegos)

Alguém pode dizer aqui o que o Dr. Santana Lopes fez por esta gente?

Eu, pelo menos, agradeço.